quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Desafios para e evangelização na Amazônia

No período de 15 a 18 de junho de 2015 aconteceu a Consulta Nacional Povos Minoritários do Brasil. O encontro que reuniu líderes de diversas agências missionárias de várias partes do país tinha como objetivo refletir sobre a realidade da evangelização e propor ações necessárias para o alcance dos povos minoritários do Brasil.
A Consulta concentrou-se em cinco segmentos socioculturais menos evangelizados no Brasil, seu contexto e desafio. São eles: Indígenas, Quilombolas, Ciganos, Sertanejos e Ribeirinhos. Ronaldo Lidório apresentou o panorama geral dos segmentos menos evangelizados, destacando a necessidade de maior pesquisa para dimensionar o desafio e direcionar os esforços missionários.
A respeito do segmento Ribeirinho, o relatório elaborado na Consulta diz que um grupo constituído por 35 mil comunidades na Amazônia, do qual se estima que 10 mil comunidades ainda não foram alcançadas pelo Evangelho. Vinte e seis milhões de pessoas habitam a Amazônia Legal sendo que cerca de 1 milhão tem pouco ou nenhum contato com o Evangelho. Há mais de 40 iniciativas evangelizadoras na Amazônia Legal e a maioria das comunidades tradicionais num raio de 100 Km das principais cidades já foram alcançadas.
Necessidades de desafios
Dentre as necessidades apontadas no relatório para o avanço do evangelho entre os ribeirinhos estão a conscientização da igreja brasileira, missionários bem treinados, com capacidade de leitura cultural adequada, formação de líderes locais e material pedagógico adequado.
Um grande desafio continua sendo o isolamento histórico e geográfico de milhares de famílias e comunidades, o que exige uma logística complexa para o acesso. O relatório citou ainda outros desafios para a evangelização: pecados culturais arraigados – promiscuidade; iniciação sexual precoce; abuso sexual familiar; conformismo da comunidade; convivência pacífica de lideranças evangélicas com pecados da cultura local; prejuízos resultantes de más experiências evangélicas anteriores e a sustentabilidade econômica.
O que fazer e o que evitar
O relatório orienta que os interessados em se envolver com a evangelização entre os ribeirinhos devem evitar atitudes como de “turistas”; ter cuidado ao firmar alianças com líderes nativos antes de conhecê-los profundamente; não aparentar atitude de superioridade; e fugir do assistencialismo.
Dentre os itens citados como melhores práticas, estão: oferecer preparo para nativos plantadores de igrejas, em localidades mais próximas de seu ambiente; recrutamento considerando chamado e caráter; preparo missionário específico voltado para a realidade ribeirinha; estudo antropológico e histórico da comunidade; recrutamento de professores e agentes de saúde na sede do município para as vilas não alcançadas; adoção de postura de respeito à liderança no processo de evangelização da comunidade; equipes de curto prazo bem preparadas, com alvos definidos e acompanhadas por liderança da igreja.
Para falar mais sobre os desafios da evangelização da Amazônia, o Paralelo10 entrevistou três pastores que atuam na região. Confira na entrevista abaixo:

Paralelo 10 – Qual a maior barreira para a evangelização da população que vive na Amazônia?
Moacy – Existem inúmeras barreiras que posso citar (custo de locomoção altíssimo, comunidades hostis ao evangelho por conta da dependência financeira e da posse da terra pela igreja romana, difícil acesso em muitas comunidades por conta da seca dos rios, dificuldades de comunicação com comunidades indígenas), porém, cito a falta de obreiros que topem enfrentar a realidade amazonense, principalmente a ribeirinha, a maior barreira para a evangelização.
Gilson – Diria que seriam a localização geográfica e as crenças religiosas. No nosso campo de atuação, entre indígenas, além da localização a língua materna de cada povo também é um grande desafio.
William – Acredito que existem duas barreiras significativas para a evangelização na Amazônia. A primeira é a falta de uma instrução e treinamento dos líderes das igrejas ribeirinhas já estabelecidas para a obra missionária. A segunda é a dificuldade de transporte para os locais mais carentes de ação missionaria, tanto naval quanto aéreo. Nenhuma dessas opções é barata.
P10 – Quais aspectos da geografia da região amazônica dificultam e quais favorecem o trabalho de evangelização?
Moacy – Calor beirando ao insuportável na maior parte do ano; secas que encarecem e, muitas vezes, impossibilita o acesso a comunidades; caminhos de estrada de barro em péssimas qualidades para locomoção. Normalmente as cheias favorecem o trabalho missionário, quando se trata de terra seca (áreas que não alagam), porém, quando as comunidades estão situadas em áreas de várzea o trabalho fica prejudicado pelo êxodo sazonal dos moradores.
Gilson – Seja por água ou terra, sempre será um trabalho desafiador. Mesmo que sejam estradas, muitos grupos estão há muitos quilômetros de distância das cidades. Como são regiões longínquas, quem vem trabalhar aqui tem que planejar ficar mais tempo com o povo a ser alcançado. Há muitos recursos naturais: rios, animais, peixes, aves, insetos, plantas, frutas, etc, os quais podem ajudar no sustento diário do obreiro.
William – Ironicamente, um aspecto da geografia que favorece o trabalho da evangelização na Amazônia é o fato de que, através de embarcaçôes e aeronaves, existe como chegar praticamente em qualquer lugar na Janela Amazônica. Praticamente todo povo da Amazônia vive na beira dos rios da Amazônia, mas com uma boa instrução e treinamento de líderes das igrejas ribeirinhas/indígenas, é possível alcançar os que não moram nessas margens.
P10 – Como usar o potencial dos recursos humanos e naturais da região para plantar igrejas autossustentáveis?
Moacy – Cada região do Brasil tem suas peculiaridades, os obreiros locais se comunicam, exemplificam, entrosam-se, com muita facilidade, pois não há a necessidade de adaptação. Por já estarem acostumados com a forma de viver das comunidades não enfrentam o choque cultural. Outra coisa que precisa ser entendido é que a Amazônia é riquíssima em recursos naturais e se faz necessário adaptar a transmissão das Boas Novas de Cristo para poder aproveitar estes recursos. Um Evangelho importado dificulta o processo de discipulado por não haver condições de multiplicar uma forma que não se tem os recursos dos quais foi aprendido.
Gilson – Temos várias iniciativas. Entre elas estão o treinamento bíblico de nativos na própria língua materna e a produção de materiais na língua materna com a ajuda do próprio povo. Construir igrejas usando os recursos naturais existentes na região e participar de eventos culturais nas aldeias também são formas de valorizar o potencial da comunidade e se aproximar do povo.
William – A forma mais viável para a plantação de igrejas na Amazônia é treinando lideres locais para dirigir e pastorear essas igrejas. O ribeirinho já está acostumado a viver da terra pescando, caçando e plantando. Não precisa de uma renda ou contribuição mensal. Se plantarmos “igreja indígenas”, ou seja, igrejas que refletem a cultura em que ela é plantada, vamos estar usando ao máximo os recursos naturais e humanos de cada região.
P10 – De que maneiras as igrejas do Sul e Sudeste poderiam contribuir com a igreja nortista para a evangelização da região?
Moacy – Acredito que a primeira e mais importante é a oração, muitas vezes as forças parecem sumir e acreditamos que as orações são a energia que nos realimenta. Apoiar obreiros locais ajudaria bastante o trabalho, muitos de nossos obreiros se desdobram para poder manter seu lar e tocar o trabalho missionário. Peço a Deus para levantar igrejas que abracem pelo menos um obreiro autóctone, isto faria uma imensa diferença na vida de várias comunidades.
Gilson – Parcerias com profissionais voluntários nas áreas de saúde, construção civil, educação e agronomia. Outra forma seria na adoção de sustento parcial de obreiros autóctones.
William – Elas podem subsidiar viagens missionárias para diminuir os custos. Contribuir para o sustento de pastores itinerantes, que dedicam suas vidas para o apoio e instrução das igrejas ribeirinhas e indígenas. Contribuir para associações missionárias sérias, que tem uma infraestrutura considerável para manter. Enviar equipes para o desenvolvimento de projetos evangelísticos, médico e social na Amazônia.
P10 – Quais são as principais características que uma pessoa que se sente chamada para evangelizar na Amazônia deve apresentar?
Moacy – Amar a Deus, amar as pessoas e disposição para renunciar em prol do reino.
Gilson – Convicção do chamado. Fácil adaptação. Abertura ao aprendizado. Ter formação teológica, missiológica e linguística.
William – Precisa ser um(a) aprendiz, conhecer como o povo vive, seu dialeto, sua cultura; não podemos chegar à um local pensando que sabemos de tudo. Não pode ser uma pessoa de julgamento; sempre observando e reconhecendo as diferenças culturais, sem julgá-las como erradas ou tentar conformar a sociedade à forma que é na sua terra de origem. Uma pessoa criativa, que procura meios de como ser usado por Deus, como suprir necessidades. Precisa ser uma pessoa que está crescendo espiritualmente humildade é chave nisso. Reconhecer que ainda não conhecemos tudo e que dependemos de Deus para nos guiar. Uma pessoa compromissada, que está disposta a sacrificar o conforto de seu lar, entendendo que isso tudo faz parte de algo muito maior que nós. Uma pessoa flexível, que espera mudanças nos planos e busque honrar somente a Deus em todas as coisas. Uma pessoa que vê além de suas preferências e preocupações pessoais, que ame pessoas – alguém disse uma vez, “o contrário de amor não é ódio, é indiferença”. Alguém que compartilhe sua vida com os outros, faça amigos, lembre nomes, lembre de histórias. Enfim, uma pessoa que saiba amar.
P10 – O que os missionários e cristãos do Sudeste que vão para a Amazônia aprendem sobre a fé e evangelização?
Moacy – Sobre fé, acredito que a dependência em Deus é multiplicada nesta região. Muitos enfrentam rios, chuva, sol e fome por horas para poder chegar a uma comunidade na qual esteja atuando. Em relação a evangelização, acho que o que mais chama a atenção é a percepção da necessidade de uma evangelização integral, é praticamente impossível visitar um ribeirinho e não se sentir sensibilizado em querer lhe apoiar a crescer em todos os aspectos de sua vida.
Gilson – Aprendem que mesmo dentro do seu forte contexto religioso, social e cultural, as pessoas aqui têm uma fé vibrante e visível ante as dificuldades da vida diária. São receptivas, hospitaleiras e gostam de dividir o que possuem. Se um nortista oferecer algo, não pergunte quanto custa, receba e depois de algum tempo, presenteio-o também. Quanto à evangelização, melhor método é a amizade.
William – Se você permitir Deus falar com você, Ele vai te mostrar exatamente o que Ele quer de você. Você vai saber sua missão aqui na terra.
• Moacy Paulino da Silva, pastor na Primeira Igreja Batista de Parintins, coordenador Centro de Treinamento de Líderes Profª Eglantina Lessa (CTL). Atua no baixo Amazonas nos municípios de Parintins, Nhamundá, Barreirinha, e comunidades ribeirinhas e indígenas.
• Gilson Ricardo da Silva, secretário executivo da Missão Evangélica aos Índios do Brasil (MEIB). Atua nos estados do Pará e Maranhão há mais de 40 anos, entre as etnias Kayapó, Xikrin, Tembé e Anambé (Pará). Guajajara e Kanela (Maranhão) e agora com os Kayapó do norte do Mato Grosso.
• William Boyd Walker Junior, diretor executivo da Missão AMOR, uma organização cristã, sem fins lucrativos, envolvida com projetos de evangelização na região amazônica.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Morre, aos 68 anos, Pr. Edison Queiroz


23 de setembro de 2016
Faleceu na tarde desta sexta-feira (22), aos 68 anos, o Pr. Edison Queiroz. Ele ficou bastante conhecido no meio evangélico por implantar a visão missionária na Primeira Igreja Batista em Santo André/SP, que pastoreou por duas ocasiões, a primeira a partir de 1979 e a segunda desde 2005. O velório acontece nesta sexta-feira (23) no templo da PIB Santo André; o culto fúnebre acontece às 13h no mesmo local, e o sepultamento está marcado para 16h30 no Cemitério Memorial Santo André.
O chamado pastoral de Edison Queiroz aconteceu na década de 1970, quando fez, em El Salvador, um curso de coordenador da Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo, servindo ali por dois anos. Em 1977, foi chamado para ser pastor auxiliar da PIB Santo André, onde se tornou pastor titular em 1979.
Nesse período, implantou a visão missionária na PIB Santo André, que chegou a ter 42 unidades missionárias em várias partes do mundo. Também foi em seu ministério que foi realizada a construção do atual templo da igreja e demais dependências.
O Pr. Edison Queiroz ajudou a implantar a visão missionária nas Américas Latina e do Norte, através da Cooperação Missionária Ibero-Americana (Comibam) e da Cooperação Missionária dos Hispanos da América do Norte (Comhina). Tinha voltado a pastorear a PIB Santo André em 2005.
O Pr. Edison Queiroz deixa a esposa, Rute Queiroz, três filhos, Edison Jr., André e Fernando, e dois netos.
Missões Mundiais manifesta seus mais sinceros sentimentos à família do Pr. Edison Queiroz, um dos maiores mobilizadores missionários e que cumpriu sua grande missão ao seguir para os braços do Pai.
por Willy Rangel, com informações da PIB Santo André/SP
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O Pr. Edison Queiroz é autor dos seguintes livros: A Igreja Local e Missões,  Igreja O Corpo de Cristo, O Melhor para Missões, Transparência no Ministério, Tempo a Sós com Deus, dentre outros títulos.

sábado, 10 de setembro de 2016

HINOS MISSIONÁRIOS - Antologia de hinos de teor missionário, coligidos dos hinários tradicionais das igrejas evangélicas brasileiras. Baixe grátis

         

          Amados irmãos, é com alegria que apresentamos e ofertamos a todos o nosso mais novo trabalho, o hinário Hinos MissionáriosEsta obra colige hinos com enfoque missionário e motivacionais ao serviço de evangelização e mordomia cristãs, coligidos dos principais hinários das igrejas tradicionais (históricas) e pentecostais do Brasil.

          Nosso objetivo principal, ao reunir em uma única obra tal quantidade de hinos, é melhor capacitar a igreja brasileira em seu esforço missionário, ampliando o leque de recursos litúrgicos à sua disposição. Indiretamente, ao coligirmos trabalhos de hinários denominacionais, celebramos aquele tipo de comunhão, de união entre cristãos que, pela misericórdia e para a glória de Deus, sempre existiu e tem se tornado a cada dia mais comum no campo missionário, união inter ou transdenominacional sem a qual jamais concluiremos a Grande Comissão que nos foi outorgada pelo Cordeiro.

          Não espere encontrar aqui apenas hinos de teor estrita e explicitamente missional; reunimos, por exemplo, desde hinos de Natal até hinos dedicados ao encerramento de culto, mas que, em alguma de suas estrofes ou versos, faz referência à necessidade de proclamação do Evangelho. Hinos que em maior ou menor grau convidam a igreja e o crente a evangelizar, a proclamar a Boa Nova; que conclamam a abrir a boca “pelo direito de todos os desamparados” (Pv 31.8), a seguir em marcha para a batalha de semeadura e colheita, evangelização e discipulado, “tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1.8).


          Tais tesouros aqui coligidos não são patrimônio de uma ou outra denominação, mas sim depósito dos santos, herança comum à todo aquele que, em fé, deseja ver a Boa Nova que o salvou repartida com todos os povos. Assim, este hinário surge como mais uma ferramenta à serviço da promoção missionária, franqueado à disposição de todos, útil para avivamento e despertamento acerca daquela que é nossa inolvidável obrigação enquanto igreja.

          Os Hinários antologiados foram os seguintes: Salmos e HinosHinos e CânticosCantor CristãoHarpa CristãHinário EvangélicoHinário AleluiaNovo CânticoLouvor e AdoraçãoHinos do Povo de DeusHinário Para o Culto Cristão e Cantai Todos os Povos. O hinário conta com recursos para facilitar sua utilização, como nota introdutória sobre cada hinário antologiado, índice dos primeiros versos dos hinos e índice de autores e tradutores.

           É pois com imenso prazer que oferecemos à irmandade de nossa pátria e de outros solos de amplitude lusófona, esta seleta reunindo uma fração do melhor da hinologia cristã já produzida. Riquezas que são fruto de séculos de abnegado trabalho, empreendido por servos de Cristo conhecidos e anônimos, em nossas terras e alhures.

          Convido você a utilizar este hinário tanto em sua igreja quanto em sua vida devocional, e a compartilhá-lo graciosamente com todos os irmãos ao seu alcance.

Sammis Reachers

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Caso queira receber o arquivo diretamente por e-mail, escreva para: sammisreachers@ig.com.br

sábado, 3 de setembro de 2016

CONSULTA POVOS MINORITÁRIOS DO BRASIL - Informação e recursos para download


Entre os dias 15 e 18 de junho de 2015 aconteceu a Consulta Nacional Povos Minoritários do Brasil. Realizada em João Pessoa, Paraíba, a Consulta juntou obreiros, pastores, missionários e diversos líderes de diferentes missões. Em um ambiente com momentos de profunda comunhão com Deus e uns com os outros, eles foram desafiados no compartilhar de experiências, aprendizado e estratégias para um trabalho missionário entre os cinco segmentos minoritários definidos no Brasil: ciganos, ribeirinhos, sertanejos, indígenas e quilombolas.

Apesar de serem “povos minoritários”, as estimativas recentes apontam para um desafio missionário enorme, pois o evangelho ainda não chegou para mais de 100 etnias indígenas, 10 mil comunidades ribeirinhas, 6 mil assentamentos sertanejos e 2 mil comunidades quilombolas, isso sem falar nos imigrantes e surdos, grupos que começam a ser reconhecidos com mais cuidado e carinho.

Ronaldo Lidório, missionário da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais (APMT) e uma das vozes mais expoentes no assunto, afirma: “Creio que é a primeira vez que líderes se encontram de forma mais intencional para tratar da elaboração de estratégias nesta direção, pensando nos cinco segmentos, mas em diversos outros congressos o assunto já foi levantado e debatido. O Congresso Brasileiro de Missões da AMTB foi o pontapé inicial para a atenção sobre estes segmentos como um bloco.”

Guiados pela oração e encorajamento mútuo, os líderes foram encorajados a ações práticas a partir da Consulta, como caminhar na direção de um relacionamento formal das Alianças e iniciativas com a AMTB (Associação de Missões Transculturais Brasileiras) por meio do seu Departamento de Alianças. A comunhão e maior interação futuras entre os participantes também é um alvo a ser desenvolvido, além da criação e manutenção saudável de uma lista com as principais estratégias que devem ser utilizadas – e as que devem ser evitadas – neste trabalho.
Gabriel Louback

Baixar anexos: 

domingo, 21 de agosto de 2016

Congresso Diáspora: Alcançando Pessoas em Movimento

Existem mais de 232 milhões de pessoas deslocadas no mundo. Toda nação tem sido impactada com o fenômeno de movimento de populações. Essa diáspora representa tanto uma força missionária quanto uma oportunidade de alcançar os povos que chegam a nossas vizinhanças.
A Faculdade Teológica Sul Americana abordará o tema Diáspora: Alcançando Pessoas em Movimento durante congresso em outubro, com a presença de John Baxter, Catalisador Internacional da Global Diáspora Network do Movimento Lausanne, além de líderes e missionários de várias agências brasileiras (como SEPAL, MIAF, MISSÃO MAIS e outros), e profissionais com experiência internacional.
“A diáspora global é composta de grupos de pessoas vivendo fora de seu local de origem cultural, que retêm uma ligação sociocultural e um sentimento de identificação significativo com seu país de origem e que experimentam um sentimento de deslocamento ou alienação dentro de seu novo local de residência. Há mais de 40 milhões de pessoas deslocadas de suas casas devido a guerras ou desastres naturais. Quase 3 milhões são estudantes internacionais. Porém, a vasta maioria nos grupos de diáspora global são trabalhadores. A maioria desses trabalhadores é procedente de países em desenvolvimento. Portanto, são forçados pela pobreza e pelo desemprego e atraídos pela oportunidade econômica e por maiores salários encontrados em outros países. Há uma grande oportunidade evangelística envolvida na diáspora global.”, definiu Baxter em entrevista para Revista Ultimato (leia mais aqui).
Com o objetivo de capacitar igrejas e profissionais para realizarem o ministério diáspora, serão oferecidos workshops nas seguintes áreas:
• Preparo para o profissional indo além-mar
• As nações entre nós – a igreja local e seu novo vizinho
• Ministérios com universitários internacionais e suas famílias
• Refugiados
• O papel do pastor no ministério diáspora

Workshop:
As Nações Entre Nós: A Igreja Local e Seu Novo Vizinho – Enoque Faria (MIAF)
Preparo do Professional "Indo Além-Mar” – Dra.Carla Decotelli e Pr.Cláudio Mendes (profissionais em campo)
"Business as Mission” – Tim Dunn (SEPAL)
“Refugiados”- Marcos Stier Calixto (CAEBE)
“Alcançando Universitários Internacionais e suas Famílias” – Mark and Sally Sulc (professor da Universidade Estadual de Ohio)
“O Papel do Pastor no Ministério Diáspora” – John Baxter
 
Congresso Diáspora: Alcançando pessoas em movimento.
Data: 21- 22 de outubro/2016
Local: Campus da FTSA
Inscrições: acesse aqui.


terça-feira, 16 de agosto de 2016

Não existem países fechados



Nenhum país está fechado para pessoas, mesmo sendo cristãs, que trazem produtos e habilidades necessários. Qualquer um que pode suprir os produtos e as habilidades de que o país precisa é bem-vindo. 
Se você diz a seu vizinho ou colega descrente que a Arábia Saudita ou a China são países fechados, ele vai perguntar: O que você quer dizer com isso? Conheço um monte de gente que vai lá e que trabalha lá. O que você quer dizer com fechado? 
“Fechado” é um termo muito restrito ao linguajar missionário. Ninguém usa essa palavra fora do contexto de crentes com visão missionária. Ela não faz sentido para os descrentes e nem mesmo para a maioria dos crentes. 
Se você diz que a Coreia do Norte é um país fechado, as pessoas irão compreender. O líder paranoico e despótico da Coreia do Norte, Kim Jong-un, limita quase totalmente a entrada de estrangeiros – mas não deixa de permitir a entrada de produtos e profissionais essenciais. E se você disser que Cuba está fechada para os americanos, as pessoas também irão entender. 
Na verdade, todo país precisa e deixa entrar produtos e experiência de fora, pelo menos até certo ponto. Muitos, contudo, não concedem vistos para religiosos profissionais, exceto para os que trabalham para a religião oficial. De 70 a 80% restringem a emissão de vistos para missionários, mas dão as boas-vindas a outros profissionais, sem ligar para sua religião. O mundo está aberto para profissionais cristãos com as habilidades e produtos de que necessita. Todos podem entrar legalmente. Não sabemos de nenhum país em que fazedores de tendas não podem entrar, incluindo a Coreia do Norte. 
As palavras influenciam o pensamento. A palavra “fechado” distorce nossa ideia de países fechados. Achamos que países fechados são maus e totalmente fechados ao evangelho. Mas isso é preconceito. Essas nações não rejeitam apenas o cristianismo, mas todas as religiões estrangeiras. Além disso, rejeitar o cristianismo não é a mesma coisa que rejeitar o evangelho. As pessoas de cada lugar nem podem deixar de considerar o cristianismo como religião estrangeira, enquanto não o virem sendo demonstrado e transmitido por testemunhas presentes. É por isso que fazedores de tendas são essenciais. Mesmo quando se permite a entrada de missionários, seu testemunho sempre é desvalorizado por se tratar de “religiosos profissionais remunerados”. 
Um taiwanês respondeu, quando perguntado sobre o que achava do trabalho dos missionários em Taiwan, que eles recebem para fazer convertidos. Somente fazedores de tendas podem apresentar a autenticidade e o poder do evangelho na vida diária. 
Todos os países são fechados para política, cultura e religião que vêm de fora e lhes são impostas. Eles querem decidir seu próprio destino e desenvolver a si mesmos como bem entendem. Sim, motivação maligna – ganância, privilégios, poder e posição – os corrompem e amarram muito. E nações totalitárias com frequência são as mais opressivas, corruptas e subdesenvolvidas. Mas o desejo dos povos de determinar seu próprio destino e criar valor verdadeiro é uma expressão da imagem de Deus em nós. 
Nós como cristãos deveríamos entender isso melhor que ninguém. Deveríamos parar de considerar essas nações totalmente fechadas para o evangelho. 
Dois outros pensamentos acompanham o conceito de países fechados: que, para espalhar o evangelho, os missionários é que têm de ir, e que precisamos preparar obreiros em tempo integral, sustentados por doações, para continuar a espalhá-lo. Em nenhum lugar a Bíblia ensina isso. Na verdade, a grande expansão do evangelho para além de Judeia e Samaria registrada na segunda parte de Atos foi efetuada por fazedores de tendas, isto é, por trabalhadores autossustendados que integravam trabalho com testemunho. 
Fazer tendas confere poder e credibilidade ao evangelho. A evangelização é multiplicada pela ativação de discipuladores leigos. E cria um padrão de liderança leiga e pastoreio sem que se precise esperar por sustento e treinamento profissional de ministros. Líderes leigos levantados por Deus servem de exemplos poderosos de discipulado, como súditos verdadeiros, não pagos, do Senhor dos senhores no mundo. E a estratégia de fazer tendas gera muito mais líderes para a igreja e a missão. 
Portanto, paremos de chamar os países de fechados ou de acesso restrito ou com outros termos que traem os óculos coloridos de obreiros em tempo integral. Devemos reconhecer o tremendo chamado e capacidade de trabalhadores leigos, tanto de fora como do lugar. E, por fim, entendamos que todos os países estão de braços abertos para cristãos que têm os produtos e as habilidades de que eles necessitam. 

Via Global Opportunities, Jan. 2014.  Tradução: Hans Udo Fuchs.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Eventos missionários acontecendo pelo Brasil

Cachoeiras de Macacu - RJ

Rio de Janeiro - RJ

Niterói - RJ

São Gonçalo - RJ

Barra do Peixinho - Bahia

Goiás

Belo Horizonte - MG


Envie informação e IMAGEM sobre seu evento para: sammisreachers@ig.com.br







sábado, 30 de julho de 2016

Uma nova frente missionária para uma geração com a faca e o queijo na mão


Fábio Ribas
A Igreja tornou-se indesculpável diante da ebulição tecnológica das últimas gerações. Se ainda há bem pouco tempo, o trabalho missionário encontrava obstáculos enormes como a inacessibilidade a determinados povos, as intermináveis correções nas antigas máquinas de escrever, a dependência do serviço moroso dos correios e telégrafos, o isolamento de tantos trabalhos de tradução bíblica que precisavam demorar décadas para, finalmente, encontrar uma avaliação satisfatória para fins de publicação, num piscar de olhos, todo esse quadro mudou com a democracia da informação possibilitada pela internet.
                Os inúmeros contextos de povos que necessitam de capacitação teológica testemunham como que as iniciativas “virtuais” ainda são muito tímidas e distantes do satisfatório por parte da Igreja. Poderíamos promover aulas, encontros, fóruns, congressos, graduações e pós-graduações via internet, alcançando nossos irmãos indígenas, ribeirinhos, ciganos ou mesmo aqueles fora do nosso país, realizando cursos e intercâmbios culturais com nossos irmãos na África e na Ásia, por exemplo. A Igreja precisa investir maciçamente na inclusão digital desses povos e comunidades por meio da instalação de salas e laboratórios de computação pelo interior do Brasil afora e demais países também, para que a promoção da capacitação dos nossos irmãos por meio do sistema de EAD (Ensino à Distância) de qualidade se torne um fato. A partir daí, de maneira criativa, poderíamos abrir esse novo espaço para a atuação e comunicação de tantos jovens que anseiam servir na obra missionária, e poderiam fazê-lo no ambiente virtual, porém, não conseguem discernir a própria vocação por responsabilidade mesmo de uma Igreja que ainda não abraçou, efetivamente, essa nova frente de trabalho estratégica para a capacitação teológica de tantos povos que se encontram distantes de nossos Seminários e Institutos. 
                Não apenas as distâncias geográficas, culturais e mesmo políticas estão sendo drasticamente reduzidas pela globalização via internet, o que abre novas oportunidades para o avanço evangelístico e missionário da Igreja, mas o próprio trabalho de tradução da Bíblia recebeu um reforço inestimável por meio de inúmeros programas e softwares que tanto facilitam o árduo esforço linguístico, dinamizando a consulta, revisão e a própria qualidade da tradução, como também diminuem literalmente o peso da bagagem e o custo dessa empreitada. Entretanto, ainda que sejamos a geração “com a faca e o queijo nas mãos”, somos também a que menos tem se envolvido no trabalho de alcançar os povos pela terra. Por incrível que pareça, até a tecnologia colocada por Deus diante de nós tem sido muito mal-usada se analisarmos o grande potencial que temos a nossa disposição.

É chegada a hora de abraçarmos esta enorme oportunidade para a proclamação do Evangelho da Salvação.  Sonho com o impacto de uma educação teológica de qualidade a partir da apropriação do avanço da internet. Uma educação marcada pela aproximação entre culturas distantes entre si e pela derrubada das distâncias geográficas que ainda nos impedem de aprendermos uns com os outros neste mundo globalizado.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A seara clama por nossos “Filipes”


Rev. Fábio Ribas


“Sou seguidora de Jeová... Sou Testemunha de Jeová”, disse-nos a indígena que sequer dominava bem a língua portuguesa, mas que há meses recebia em sua casa um TJ para estudar com ela. Enquanto isso, missionários evangélicos temerosos em falar de Jesus aguardavam que ao menos o Evangelho de Lucas estivesse traduzido para, então, iniciarem a evangelização. Se a Igreja não estiver pronta a ensinar, tenha a certeza de que outros ocuparão o lugar que ela negligencia assumir.
“Como poderei entender, se alguém não me ensinar” ainda é a resposta inquisidora do mundo à Igreja de Jesus Cristo, que tem levado a Bíblia às diversas culturas e línguas espalhadas pelo planeta. Todavia, a despeito do necessário e enorme esforço da Igreja em traduzir o texto bíblico, só isso não basta. Como já observou certo missionário: “antes havia povos sem Bíblia e hoje há Bíblias sem povos”! Os campos necessitam de missionários muitíssimo bem preparados, porque Bíblias se encontram mofadas por não haver quem saiba ensiná-las respeitando os contextos de aprendizado culturais e enfrentando, muitas vezes, culturas orais ou de baixíssimo grau de escolaridade.
Mesmo em culturas letradas e simpatizantes ao aprendizado das Sagradas Escrituras, como foi o caso do homem etíope abordado por Filipe (Atos 8:27), um livro como a Bíblia precisa ser apresentado a partir de um “roteiro de leitura” contextualizado. “O Espírito Santo vai ensinar” é a exclamação dos modernos espirituais de Corinto. Ao que eu sempre respondo: “Larga de ser preguiçoso e vai estudar a Bíblia e a cultura de quem você quer evangelizar, porque, sim, o ES irá fazer a obra, mas é usando você como instrumento”!
Precisamos de obreiros que, seguindo o exemplo de Filipe, subam o carro e viajem com o outro, trazendo-o para perto de si e amando-o como pessoa, ensinando a Escritura até o momento em que se assuma um compromisso com Cristo e, finalmente, seja-nos perguntado: “O que me impede de ser batizado? ”. Enfim, precisamos não apenas ensiná-los, mas ensiná-los a ensinar! Os Campos clamam por “Filipes”, mas quem irá? Quem os enviará?
No Brasil, nas grandes cidades e grandes igrejas, encontramos pastores, presbíteros, mestres e doutores capacitados, mas, infelizmente, muitos não possuem a mínima sensibilidade de que o campo também precisa de missionários bem preparados para ensinar. Nós precisamos, seguindo o exemplo da Igreja em Antioquia (Atos 13), enviar o que há de melhor no nosso aprisco aos campos que exigem de nós uma resposta: “Rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo, ou de algum outro?”.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Ronaldo Lidório: Avaliando o avanço missionário mundial


Nas três últimas décadas, fomos positivamente bombardeados pela missiologia do avanço final, na qual Ralph Winter defendia uma abordagem em massa em direção aos 13 mil povos não alcançados da terra. Movimentos mundiais como o AD 2000 propuseram “uma igreja para cada povo e o evangelho para cada pessoa até o ano 2000”.
Foram listados inicialmente mais de dez mil grupos sem uma igreja com pelo menos cem membros. Logo depois, missiólogos como Patrick Johnstone conseguiram fragmentar o estudo, identificando menos de quatro mil etnias totalmente não alcançadas, enquanto que a World Mission International, em uma avaliação mais recente, estimou que apenas 2.134 grupos étnicos não tenham hoje uma igreja entre eles. As estatísticas mostram que houve um incrível avanço missionário nos últimos 30 anos.
É inquestionável o avanço da igreja cristã, que, entre 1999 e 2000, obteve um índice de 6,1% em termos de crescimento global — o maior crescimento entre as principais religiões mundiais, incluindo o Islã. Também não podemos desconsiderar o avanço das missões que se puseram a encontrar, estudar e catalogar os grupos ainda não alcançados pelo evangelho, fazendo-nos saber quem eles são, onde estão, quantos são e quais as principais barreiras a vencer para alcançá-los.
É preciso, entretanto, compreender que enquanto antigas barreiras vão sendo derrubadas, novas vão se formando. Não vivemos em um mundo estático. Precisamos de uma missiologia mais ágil do que precisávamos há dez anos. Além disso, algumas das antigas barreiras não têm dado o menor sinal de mudanças. Permita-me citar quatro novas fronteiras com as quais, creio, lidaremos nas próximas duas ou três décadas:

1. A redoma de resistência e entre os não alcançados

Os povos que foram alcançados – dentre os 13 mil inicialmente propostos por Winter e McGavran – seguiram a regra da menor resistência; e esta é uma regra normal. Ou seja, em regiões onde havia três grupos não alcançados, acontecia a penetração missionária nos dois que demonstravam menor resistência, seja geográfica, política, religiosa, linguística, cultural ou espiritual. O mais resistente ficava para um segundo momento. Em linguagem simples, “coamos” esses 13 mil povos não alcançados.
Quando analisamos o avanço missionário entre os grupos nômades, por exemplo, percebemos que 90% deu-se entre os chamados seminômades, os quais apresentavam maior tolerância à abordagem missionária. De acordo com o Dr. David Philips, da WEC International (Missão AMEM), há ainda mais de 150 grupos nômades totalmente não alcançados no mundo. Atingimos, em regra, os menos resistentes. Menor resistência funciona em geral como uma lista de oportunidades no mundo missionário.
Portanto, o que temos em nossas mãos neste início de milênio não são simplesmente outros dois mil PNAs (povos não alcançados), mas os dois mil PNAs mais resistentes em toda a história do Cristianismo. Consequentemente, precisaremos agora de maior preparo missiológico, cultural e linguístico que os missionários de 50 anos atrás. Também precisaremos de nova motivação, pioneirismo e, sobretudo, da graça de Deus. Poderíamos chamar essa primeira fronteira de redoma de resistência.

2. O desdobramento étnico entre os isolados

O desdobramento étnico é uma expectativa comum em boa parte da antropologia mundial, mesmo entre os não cristãos. Ele parte do pressuposto de que a maioria desses dois mil grupos étnicos não alcançados nunca foram mapeados antropologicamente. Existe grande possibilidade de que cada nome nesta lista corresponda a bem mais do que apenas uma etnia. Comumente encontramos uma nação étnica na qual diversas tribos, falando dialetos similares e possuindo coexistência cultural, dividem o mesmo território. Assim aconteceu com os Frafras no Noroeste Africano. Descobriu-se que não formavam apenas um povo, mas, dois grupos distintos linguística e culturalmente. O segundo se intitulava Kassena. Os Natuis, da Papua Nova Guiné, tidos como um só grupo por pelo menos um século, na verdade constituíam sete diferentes etnias, vivendo em relativa harmonia e compartilhando o mesmo território. Alcançar um povo não pressupõe alcançar todos.
Esse fenômeno ocorreu em 70% dos grupos estudados cientificamente nos últimos 50 anos, atingindo uma média de desdobramento de 4,2 (de acordo com o Departamento de Antropologia da London University). Ou seja, em 70% dos grupos isolados que sofreram uma abordagem antropológica nas últimas cinco décadas, cada um escondia, em média, outros três grupos. É possível, portanto, que os nossos dois mil PNAs se tornem cerca de cinco a oito mil grupos étnicos. Ainda há um bom caminho a andar.

3. A incapacidade de evangelização local por igrejas locais

Outra nova fronteira com a qual deveremos lidar nas próximas duas décadas é a da incapacidade de evangelização local por igrejas locais. Nem todos os países do mundo experimentam um bom crescimento da igreja evangélica como o Brasil, a Coréia e a Nova Zelândia. Segundo David Barrett, existem mais de quatro mil grupos étnicos no mundo entre os quais a igreja local não se mostra forte o suficiente para alcançar seu próprio povo. É igualmente alarmante o número de pessoas nascidas em países não cristãos: 48 milhões por ano (Global Report Magazine).
É preciso passar esses quatro mil grupos por uma nova avaliação de avanço missionário. Caso contrário, terminaremos as próximas duas décadas com um número expressivo de etnias nas quais o evangelho já foi exposto, mas permanece desconhecido pela maioria. Seriam eles alcançados?

4. A vasta diversidade linguística entre grupos minoritários

Entre as 6.528 línguas vivas no mundo, possuímos a Bíblia completa em 366, o Novo Testamento completo em 928 e grandes porções da Bíblia em outras 918 línguas. Entretanto, de acordo com a Wycliffe Bible Translators, mais de quatro mil línguas não possuem sequer uma porção da Palavra, sendo que 70% delas podem ser definidas como minoritárias. Lidamos, então, com um fato da cultura cristã: tem se tornado cada vez mais difícil arregimentar força missionária para alcançar grupos étnicos minoritários. De acordo com o Ethnologue, quatro mil das 6.528 línguas existentes são faladas por apenas 6% da população mundial.
Outro aspecto a ser lembrado é que dois bilhões de pessoas no mundo não conseguem ler ou escrever, seja por falta de alfabetização, seja por pertencerem a grupos ágrafos. Isso significa que não poderiam ler a Palavra mesmo que a tivessem em sua própria língua.
Considerando que um número cada vez menor de missionários tem tido tempo e estrutura suficientes para trabalhar simultaneamente na tradução bíblica e na alfabetização, corremos outro risco: terminarmos as próximas três décadas com porções da Palavra traduzidas para a maioria das línguas mundiais, ao mesmo tempo em que o índice de leitores nessas línguas diminui sensivelmente. Assim, teríamos mais traduções da Bíblia e menos leitores em potencial nas próximas 2.500 línguas mais necessitadas do evangelho.

Desafio

Nessa entrada de milênio, fomos mais uma vez bombardeados com um crescente número de propostas missiológicas visando apressar a conclusão do alcance do mundo que ainda desconhece o evangelho. Muitas foram novas ideias, novas propostas ou novas estratégias. David Hesselgrave nos alerta: “nem todo novo pensamento é dirigido pelo Espírito. Nem tudo o que é novo é necessariamente bom. A Bíblia é antiga, o Evangelho é antigo e a Grande Comissão é antiga”. Ele defende que, neste imenso mar de necessidades no mundo não alcançado, precisamos entender que “o evangelho dá a direção… pois a Palavra precede a nossa visão”.
O desafio que temos pela frente estatisticamente pode ser descrito como dois mil PNAs que poderão ser fragmentados em um número até três vezes maior, mais de quatro mil línguas e dialetos sem porções da Palavra, cerca de 150 grupos nômades sem presença missionária, 118 tribos não alcançadas em nosso próprio país e 72% de todos os grupos intocados pelo evangelho vivendo em países com fortes limitações políticas e religiosas. É, portanto, parte da nossa missão conhecer tais barreiras, estudá-las e transpô-las, discernindo os tempos e as épocas para a glória de Deus.

domingo, 10 de julho de 2016

Censo 2010 - Os municípios onde a taxa de evangélicos caiu, e onde é menor do que 1%


O MAI (Ministério de Apoio com Informação) dedica-se à pesquisas e confecção de recursos para auxiliar a igreja brasileira em sua tarefa missionária.
Numa das pesquisas disponibilizadas, são listados, com base no Censo de 2010 do IBGE (por nome, dados e em mapa), todos aqueles municípios brasileiros onde houve decréscimo do número de evangélicos em relação ao Censo de 2000. Isso ocorreu principalmente por o número de evangélicos não a companhar a taxa de crescimento populacional dos municípios. Somado a isto, há ainda a listagem daqueles municípios brasileiros onde a taxa de evangélicos é de até 1% (para que você tenha uma ideia, em muitos países muçulmanos, onde a evangelização é proibida, há taxas maiores do que esta).

Para baixar o arquivo em pdf contendo os dados, acesse: 
http://www.mai.org.br/index.php/material/down/file/43-lista2010

Confira ainda, no site, os muitos outros recursos que o MAI disponibiliza.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Evangelho sem Evangelização: Uma aberração!


Jorge Henrique Barro
Curiosamente as palavras “EVANGELIZAR, EVANGELISMO E EVANGELIZAÇÃO” não aparecem na Bíblia. O que aparece é a palavra EVANGELHO e a ações que devem ser realizadas em torno dele.
Fiz uma pesquisa (está na íntegra em meu livro: MISSÃO PARA A CIDADE, publicado pela Editora Descoberta, Cap. 5) analisando TODAS as vezes em que a palavra EVANGELHO surge na Bíblia. E todas as vezes que a palavra EVANGELHO surge, um VERBO desponta. Isso por si só revela que o EVANGELHO é ação! E quais são esses verbos relacionados à palavra EVANGELHO? São quatro: PREGAR, ANUNCIAR, TESTEMUNHAR E PROCLAMAR.
Exemplos:
• PREGAR
“E este EVANGELHO do Reino será PREGADO em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mt 24:14).

• ANUNCIAR
“Irmãos, quero que saibam que o EVANGELHO por mim ANUNCIADO não é de origem humana” (Gl 1:11).

• TESTEMUNHAR
“Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão-somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de TESTEMUNHAR do EVANGELHO da graça de Deus” (At 20:24).

• PROCLAMAR
“...por causa da graça que Deus me deu, de ser um ministro de Cristo Jesus para os gentios, com o dever sacerdotal de PROCLAMAR o EVANGELHO de Deus, para que os gentios se tornem uma oferta aceitável a Deus, santificados pelo Espírito Santo” (Rm 15:16).

Essas ações relacionadas ao evangelho – PREGAR, ANUNCIAR, TESTEMUNHAR e PROCLAMAR – revelam nossa missão perante o Evangelho de Cristo. Não podemos pensar que esses verbos estão apenas na esfera do “dizer”. Em relação ao evangelho nós SOMOS o testemunho, DIZEMOS o testemunho e FAZEMOS o testemunho (SER-DIZER-FAZER). Somos servos/as desse Evangelho. Esse Evangelho, o de Cristo, é a mensagem da Boa Nova. O próprio Cristo é a Boa Nova. O que é o Evangelho? O Evangelho é Cristo. Por isso, “não pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo, o Senhor, e a nós como escravos de vocês, por causa de Jesus” (2 Co 4:3), sendo “a luz do Evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2 Co 4:3). Nós pregamos, anunciamos, testemunhamos e proclamamos Cristo, o Evangelho que é a Boa Notícia do Pai ao mundo.
Creio que ficou claro! Será?
Se está claro nas Sagradas Escrituras não parece estar tão claro para a igreja e seus participantes hoje. Por onde passo, desde HISTÓRICOS até PENTECOSTAIS, a EVANGELIZAÇÃO é coisa rara, de uns poucos que são considerados os “chatos” da igreja, ou renegada a um ministério (normalmente chamado de “Ministério de Evangelização”, como se não fosse para todos, um departamento da igreja). Sem medo de eu ser aqui taxado de fazer uma generalização, afirmo conscientemente que são raras as igrejas que possuem um compromisso com a EVANGELIZAÇÃO, e isso desde os pastores, líderes e membros da igreja. Faz muito tempo que não encontro uma classe/curso na igreja sobre EVANGELIZAÇÃO. É fácil achar cursos da Escola Dominical/Bíblica sobre, por exemplo, “Os fundamentos da fé cristã”, “Introdução à Bíblia”, “Os heróis da fé”, “Doutrina cristã”, “Primeiros passos”, “Escatologia”, “Apologética”, etc (e todos necessários e importantes). Porém, se existe um curso que deveria ser de “FORMAÇÃO PERMANENTE” na igreja é EVANGELIZAÇÃO CONTEMPORÂNEA (ou HOJE). Esse curso jamais deveria deixar de ser oferecido. Inclusive, penso que, se deve ter um pré-requisito para ser membro de uma igreja, deveria ser o compromisso com a evangelização, em palavras e obras. Hoje os pré-requisitos são as classes de Catecúmenos, os Catecismos, os Sacramentos, e coisas do tipo que indicam como a pessoa se tornará “MEMBRO” da igreja. Ela é batizada, recebida como membro oficial da igreja, mas não evangeliza (é óbvio que eu nem precisaria explicar que tais ensinamentos são importantes para os novos membros da igreja). Uma formação permanente para evangelizar as pessoas em seus seguimentos de vida, como: mercado de trabalho, jovens, adolescentes, crianças, terceira idade, pobres, ricos, profissionais liberais, universitários, analfabetos, etc. A igreja lida com gente e gente que experimenta suas necessidades específicas. Uma coisa é ser membro de igreja; outra é ser um discípulo comprometido com Cristo e Seu evangelho. Se for ambos, Deus seja louvado!
Apresento dois exemplos de pessoas que foram evangelizadas e que em seguida foram evangelizar, mesmo sem treinamento. Alguns preferem comentar tais exemplos assim: “Viu, elas nem capacitadas foram e já saíram para evangelizar”, querendo com isso advogar a não necessidade de preparo. Prefiro não ir por esse caminho. Prefiro pensar assim: “Se eles foram por obediência e fé, ainda que sem preparo e Deus os usou, imagine quando forem melhores preparados como Deus não os usará ainda mais”. E no caso de ambos, o que falou forte foi o TESTEMUNHO, pois tinham um estilo de vida muito complicado na sociedade e a restauração deles falava forte. Então ambos apresentaram Cristo a partir daquilo que Ele tinha feito em suas vidas. No caso da mulher, “venham ver um homem que me disse tudo o que tenho feito”. No caso do homem, “anunciou a toda a cidade o quanto Jesus tinha feito por ele”.
Confira...
A MULHER SAMARITANA:
Ao ser evangelizada por Jesus ela imediatamente foi evangelizar: “Então, deixando o seu cântaro, a mulher voltou à cidade e DISSE AO POVO: "Venham ver um homem que me disse tudo o que tenho feito. Será que ele não é o Cristo?" Então saíram da cidade e foram para onde ele estava” (Jo 4:28-30).

Resultado:
“Muitos samaritanos daquela cidade CRERAM nele POR CAUSA DO SEGUINTE TESTEMUNHO DADO PELA MULHER: "Ele me disse tudo o que tenho feito" (Jo 4:39).

UM HOMEM DOMINADO POR DEMÔNIOS
Jesus evangeliza esse homem possuído por uma legião de demônios: “Pois Jesus havia ordenado que o espírito imundo saísse daquele homem. Muitas vezes ele tinha se apoderado dele. Mesmo com os pés e as mãos acorrentados e entregue aos cuidados de guardas, quebrava as correntes, e era levado pelo demônio a lugares solitários. Jesus lhe perguntou: "Qual é o seu nome?" "Legião", respondeu ele; porque muitos demônios haviam entrado nele” (Lc 8:29-30).

Resultado:
“O homem de quem haviam saído os demônios suplicava-lhe que o deixasse ir com ele; mas JESUS O MANDOU EMBORA, dizendo: "VOLTE PARA CASA E CONTE O QUANTO DEUS LHE FEZ". Assim, O HOMEM SE FOI E ANUNCIOU A TODA A CIDADE o quanto Jesus tinha feito por ele” (Lc 8:38-39).

Moral das duas histórias: O EVANGELIZADO VAI EVANGELIZAR! Simples assim! Mas não nos dias de hoje, onde o evangelizado vai para a igreja e, de vez em quando, leva uma pessoa que não conhece Jesus para ser evangelizada. É a inversão da ordem de Jesus – “venham” em vez de “ide”.
E assim vai o “EVANGELHO SEM EVANGELIZAÇÃO” - UMA SEPARAÇÃO INSEPARÁVEL!
- EVANGELHO SEM EVANGELIZAÇÃO é clube, é instituição, é religião, é um grupo que vive para si mesmo, é festa ritualista, é lazer, é encontro dos salvos, é adoração sem missão.
- EVANGELIZAÇÃO SEM EVANGELHO é traição a Jesus, é igrejanismo em vez de Cristianismo, é prosperidade sem cruz, é convite sem compromisso.

"O semeador SAIU a semear. Enquanto lançava a semente... caiu em boa terra, deu boa colheita, a cem, sessenta e trinta por um” (Mt 13:3s). Nossa tarefa é SAIR e SEMEAR lançando a SEMENTE na espera da COLHEITA.
Igrejas que crescem sem fazer esse processo – SAIR-SEMEAR-SEMENTE-COLHEITA estão pulando a cerca do outro campo e colhendo o que não semearam. Isso é roubo! E todos nós sabemos como isso acontece e como podemos verificar se isso acontece. É claro que ninguém pode impedir que gente de outra igreja escolha a nossa para participar, mas se o crescimento é apenas por tal via, isso não passa de trânsito religioso entre prosélitos de gente que saiu de lá para chegar aqui. É apenas mudar os números e estatísticas de lugar, na ilusão de que minha igreja está crescendo.
Pense...
- Uma igreja e um povo que não evangeliza é uma aberração.
- Uma igreja que não evangeliza precisa ser evangelizada.
- Uma igreja que não evangeliza não tem motivo para ter o evangelho.
- Um cristão que não evangeliza corre o risco de um dia ser evangelizado por alguém e pagar o mico por ser um agente invisível do evangelho.
- Evangelizar é um ato de amor, pois ninguém evangeliza a quem não ama.
- Evangelizar é um mendigo dizendo a outro mendigo onde encontrou o pão.
- Evangelizar, acima de tudo, é um ato de amor por aquele que nos evangelizou a paz, Jesus!

Ou a igreja evangeliza ou então ela não é igreja.
EVANGELHO SEM EVANGELIZAÇÃO: UMA ABERRAÇÃO!
EVANGELHO COM EVANGELIZAÇÃO: UMA COMBINAÇÃO PERFEITA, POIS UM FOI FEITO PARA O OUTRO.

Vamos em frente: “Cristo em nós, esperança da glória!” 

Jorge Henrique Barro é Doutor em Teologia pelo Fuller Theological Seminary (EUA) - Professor e Responsável pelo Departamento de Desenvolvimento Institucional (DDI) da Faculdade Teológica Sul Americana - Presidente da Fraternidade Teológica Latino Americana (Continental) - Avaliador do MEC para Teologia.

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